sábado, 18 de janeiro de 2014

Dia 2 (welcome to Tucumán)

25 de Dezembro de 2013.
Até que consegui dormir durante a noite no trem. Acordava bastante pra me reposicionar no banco (o que dava um certo trabalho), então não exatamente dormi bem, mas dormi mais do que eu esperava.
Por volta das 6 da manhã estávamos chegando em La Banda, onde o senhor que era meu vizinho de banco ia descer. Depois seguimos mais 4 horas até chegar finalmente em Tucumán.
Comi um sanduíche, uma maçã e uma tangerina, organizei o que tava fora da mochila e descemos. Na estação comecei a perceber uns gringos, que de maneira alguma tinha visto nos vagões. Estavam provavelmente na classe pullman ou mais. Boring! Sou mais meu vagão! haha!
Saí da estação e cheguei na praça pra pensar no que faria a seguir. Eu tinha feito uma reserva num hostel pra passar a noite ali e tava tentando descobrir a melhor maneira de chegar lá.
Alex e Michelle me chamaram pra ficar na casa do irmão dela e Silvina e Manuel (um dos meninos que tava tocando violão) me disseram que iam acampar em Cadillal (uma cidadezinha a 30 minutos da capital de Tucumán), perto de um rio. Curti mais a idéia do camping.

Fomos ao terminal esperar o ônibus que nos levaria até lá. Sairia as 2 da tarde, então tivemos bastante tempo pra esperar. Baixamos as mochilas em um banco e sentamos por ali por perto. Não deu 15 minutos e um guarda apareceu carregando uma mochila preta numa mão e puxando uma mulher pelo braço, com a outra. Nos perguntou se estávamos sentindo falta de uma mochila. A mulher tinha roubado a de uma das meninas e ninguém nem percebeu. Aqui na Argentina é meio assim: não rola muito roubo que nem no Brasil, mas a galera tem a mão muito leve. Não dá pra vacilar nada com bolsa, mochila, etc. Inclusive são experts em abrir sua bolsa sem você perceber.
Charlas, músicas, lanchinhos, água e muitos minutos depois chegou o busão. A passagem custava 9 pesos por pessoa. Muita, mas MUITA gente entrou nesse bus. Muita gente e muita mochila. Até agora me pergunto como coube. E muito calor, claro.

Chegamos no Cadillal, descemos depois do dique (ponto turístico local) e começamos a procurar pelo camping. Ficamos em uma área verde na qual se pagava 5 pesos pra entrar e ficar por ali de boa na beira do rio. Tinham alguns pontos que dava pra acampar. Baixamos a mochila e corremos pra água.
GE LA DA! Do tipo que faz a pessoa tremer de frio quando sai (pra voltar a suar loucamente 10 minutos depois com o sol haha). Foi massa, foi refrescante, mas foi meio esquisito. Nessa água, tinha umas plantinhas que grudavam nos pelinhos da pele, daí você saía da água com os pelinhos pretos. Tinha que passar a mão com água pra tirar. Tinha bastante gente na água, então vi que isso era meio normal.
Ficamos ali um tempo e quando o sol baixou, pegamos as mochilas e fomos buscar um lugar para armar as barracas.
Seguimos pela margem do rio e encontramos uma clareira. Tivemos que limpar um pouco arrancando a grama alta e tirando as pedras que tinham ali. Armamos as barracas e descansamos um pouco. O lugar era muito tranquilo, e tinha um monte na outra margem do rio, justamente a oeste. Ou seja, não sentiríamos muito calor ali, por que tinham muitas árvores, água e o sol se esconderia rapidinho. O senhor que viajava com a gente preparou uma fogueira e organizou umas pedras na margem do rio pra poder guardar a comida ali na água gelada. Seria nossa geladeira, e eu achei isso genial!
campingnaremos
De noite, preparamos um arroz com legumes na fogueira e tomamos vinho, fernet, fumamos um e ficamos ali trocando umas idéias. Essa parte
de trocar idéia ainda tava meio difícil. Já tava entendendo bem todo mundo, mas conseguia me expressar muito pouco. E comecei a perceber que alguma coisa ficava muito estranha no ar quando eu oferecia comida às pessoas.
Era aquele lance: eu abria um pacote de batata, e antes de comer oferecia a todos. Normal né? Não. A galera ficava meio estranha depois disso. Fui perguntar a uma das meninas por quê, e ela me explicou que isso é meio chato. Que o normal aqui é você deixar que alguém venha te pedir um pouco do que você come (enquanto ela explicava isso, eu comia minha batata e uma menina veio me pedir um pouco e depois saiu). As únicas coisas que são de boa oferecer são: água, baseado, bebida e mate. Isso me rendeu umas boas horas de reflexão.
Dia bem tranquilinho esse, mas tava bem cansada. Fui dormir cedo e apaguei logo.



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