De onde tirei essa idéia? De onde nasceu essa vontade? Sei lá!
Acho que todo ser humano gosta de viajar (pensa bem). E trip latinoamérica não é lá um desejo muito difícil de se encontrar por aí, né?
Acho que todo ser humano gosta de viajar (pensa bem). E trip latinoamérica não é lá um desejo muito difícil de se encontrar por aí, né?
Talvez minha infância levemente nômade tenha influenciado também (entre meus 0 e 7 anos mudei de cidade e estado 4 vezes, e já perdi as contas de quantas vezes mudei de casa ao longo da vida). Ou talvez tenham sido as influências culturais como os road movies Diários de Motocicleta, On The Road, Into the Wild ou road music como as de Bob Dylan e Manu Chao. Ou o fato de que sempre procurei estar em movimento. Sempre que tinha um tempinho e grana, ia dar uma voltinha perto ou longe, dentro do Brasil.
Mas mesmo com tudo isso, esse lance de mochilar sempre me pareceu meio distante e bem impossível. "Não tenho grana, não tenho coragem, não tenho tempo". Já ouvi uma amiga dizer que "quem tem vagina tem medo".
A lista de desculpas na real é bem maior. Incluia também "minha família não vai gostar de ver que ao invés de estudar ou trabalhar, tô perdendo tempo e dinheiro viajando" (pensamento aliás que surgiu dentro da minha cabeça. Ninguém da minha família nunca me disse tal coisa)
A lista de desculpas na real é bem maior. Incluia também "minha família não vai gostar de ver que ao invés de estudar ou trabalhar, tô perdendo tempo e dinheiro viajando" (pensamento aliás que surgiu dentro da minha cabeça. Ninguém da minha família nunca me disse tal coisa)
Em Agosto do ano passado me mudei pra Buenos Aires. Não sabia bem o que queria fazer aqui, só sabia que queria conhecer uma realidade diferente de Recife, Pernambuco e Brasil (ou manter a tradição do nomadismo). Conheci, vi muita coisa diferente de fato e comecei a fazer um curso de ilustração fantástico, que tá realmente fazendo valer a pena cada segundo aqui nessa cidade.
Mas ainda não estava satisfeita com a mudança. O tal do wanderlust tava bombando forte no coração. Queria mais choque cultural. Queria movimento. Queria sair da cidade. Queria estrada.
Queria viajar, pronto, é isso.
Comecei a gastar mais meu tempo livre paquerando o mapa da América Latina do que saindo pra balada (isso, aliás, me fez economizar um dinheirinho massa). Comecei a seguir vários blogs e páginas de facebook relacionada ao assunto. E não pensava em outra coisa.
Cheguei a sondar se alguma das amigas queria viajar também, pra ver se isso virava o tal do pontapé inicial, mas me deu um pouco de preguiça de esperar pelo tempo livre e pela coragem alheia.
Confesso que estar fora do meu país (e da minha zona de conforto) e estar mais próximo de fronteiras me deu um empurrãozinho a mais.
Tudo muito lindo, mas ainda estava muito no plano das idéias, dos sonhos.
A verdade verdadeira é que a única coisa que me fez levantar do sofá e arrumar a mochila de fato foi comprar a passagem de trem.
Tucumán é o destino mais longe de Buenos Aires que eu poderia ir de trem na direção Norte. E a passagem é espetacularmente barata. Por 90 pesos argentinos (cerca de 30 reais) comprei a primeira passagem do meu primeiro mochilão, pra uma viagem que duraria cerca de 24 horas em cerca de 1200 km até o primeiro destino.
Comprei a passagem antes de saber ao certo o que iria fazer depois de Tucumán. Antes de saber se eu realmente poderia ir. Se teria dinheiro, tempo ou coragem. Antes de comprar minha mochila. Antes de avisar minhas roommates, minha mãe, meus professores e meus amigos do que eu pretendia fazer. Antes até de terminar um freela que eu estava fazendo.
Na verdade, o ato de comprar essa passagem foi o que me fez organizar toda minha vida para que no dia da viagem eu estivesse totalmente livre pra poder viajar.
Então comecei a organizar tudo: Avisei as roommates, pra que a casa se reorganizasse na minha ausência, comprei minha mochila de 55 litros, uma lanterna de recarga manual, um cadeado, um adaptador de tomada, corri pra terminar o freela e as ilustrações pendentes do curso, avisei meus professores, cortei o cabelo, comprei uns dólares, me vacinei contra febre amarela e comecei a pesquisar mais ou menos que trajeto fazer. Eu sabia que queria chegar na Bolívia e passar pelo Chile, mas ainda não tinha certeza da ordem correta.
![]() |
| "La Vueltita", meu caminho. |
No penúltimo dia de aula antes do recesso de fim de ano, contei pro meu professor Manu do que pretendia fazer nesses dias. Ele não só ficou empolgado com essa idéia, como começou a me dar idéias pro trajeto e sugestões do que fazer no caminho. A maior parte das dicas dele eram dentro da Argentina (já que conhece mais), mas o trajeto principal que ele sugeriu me parecia muito bom.
A galera aqui conhece como "la vueltita", que consiste em viajar pro Norte até a Bolivia, ir baixando ao sul pelo Chile e cruzar de volta pra Buenos Aires.
A galera aqui conhece como "la vueltita", que consiste em viajar pro Norte até a Bolivia, ir baixando ao sul pelo Chile e cruzar de volta pra Buenos Aires.
Manu me disse que em 20 dias dá pra fazer essa viagem tranquilo. Passando no máximo 2 dias em cada lugar e aproveitando bem dos "pueblitos" (povos, ou cidades pequenas) e das paisagens naturais. Me empolguei e resolvi me jogar nessa sugestão.
O legal de começar a contar para as pessoas da minha pretensão foi ouvir as reações. Variaram desde "¿Estás loca?", passando por "¡Cuidado, nena!" até "¡Vas a viver uma experiencia maravillosa!". Coincidência ou não, todas as pessoas que reagiram negativamente aos meus planos nunca tinham mochilado sozinhas na vida (por não querer ou por falta de coragem), enquanto as que reagiram positivamente foram justamente as que já passaram por essa experiência. Decidi então ouvir os conselhos desse último grupo ;)
Baixei um monte de aplicativo de viagem (Citymaps2go, Wifi-Map, Hostelworld, Booking.com, Tripadvisor, um conversor de moedas e alguns jogos que funcionassem offline), reorganizei a lista de músicas do ipod pra combinar bem com a estrada e comecei a procurar por dicas de como arrumar a mochila, na internet.
As únicas coisas que eu não fiz foi pesquisar exatamente onde me hospedar e o que fazer em cada cidade. Um misto de preguiça e uma vontade imensa de me jogar no improviso. Ah, e ia comprar um tênis para trilha, mas não o fiz. Por que não queria gastar o dinheiro da viagem e também por que não pensei em fazer trilha (não pensei em nada pra fazer, na real).
Dois dias antes da viagem comecei a arrumar a mochila, seguindo essa dica que vi aqui. "Arrume sua mochila como se fosse para 7 dias".
Pra quem quer saber o que levei na mochila e quanto gastei, segue a lista:
8 camisas variadas, 3 shorts, 1 calça jeans, 1 calça de verão, 2 vestidos, 1 bikini, 1 legging, 1 suéter, 1 casaco ultra-power corta-vento, 2 tops, 2 sutiãs, 4 calcinhas, 3 pares de meia, 1 par de tênis tipo all star, 1 par de chinelo, shampoo, condicionador, creme de pentear, sabonete, desodorante, perfume, protetor solar, óculos de sol, cachecol, toalha, lenço pro cabelo, ipod, iphone, carregadores, lanterna, adaptador, cadeado, kit primeiros socorros, almofada de pescoço (pra dormir no busão), dois livros, meu sketchbook, estojo de lápis, escova de dentes, pasta, batom de cacau, batom normal, câmera de filme, creme hidratante, saco de dormir, barraca e uma mochila pequena. E na doleira, meu passaporte, documento de vacinação, 460 dólares e 7000 pesos argentinos (um total de uns 3 mil reais).
Separei mil pesos argentinos e pus na minha carteira (a que ia na mochila pequena). Levei também minha carteira de motorista brasileira (vale como documento na América do Sul, o que é bom pra não andar o tempo todo com o passaporte), cópia do passaporte, algumas frutas, pão, queijo, uma garrafa de água e muita vontade de viver uma experiência nova!
Acho que dormi sorrindo na noite anterior à viagem.

Sim, vou acompanhar tudinho e preparar o meu passo :)
ResponderExcluirAnsioso por ver a história toda!
Muito massa os relatos, continua escrevendo que vai dando uma puta instiga pra quem ficou em recife e também sempre teve essa vontade :D
ResponderExcluir